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KFPE


 

Guia para a Parceria Científica com os Países em Desenvolvimento:
11 Princípios

Commissão suiça para a parceria científica com os países em desenvolvimento, KFPE, 1999


Traduzido do francês por Maria de Lourdes Mendonça S.Brefin e Célia Regina Mendonça Santos

You may download the 11 Principles as
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.rtf - Document (Size 180 KB).

Below you find the Table of Contents and the foreword.


Sumário

«Mudar de rumo» – na pesquisa também!
Porque mudar?
A onde leva o novo rumo?

Agradecimentos

Introdução
Generalidades
Conteúdo

Os onze princípios da parceria científica
1. Determinar em conjunto o objeto da pesquisa
2. Estabelecer um clima de confiança
3. Informar e criar redes
4. Dividir as responsabilidades
5. Promover a transparência
6. Garantir o acompanhamento da cooperação
7. Divulgar os resultados
8. Explorar os resultados
9. Distribuir eqüitativamente os benefícios
10. Reforçar o potencial de pesquisa
11. Garantir o adquirido

Anexos
1. Exemplos concretos
1.1 O projeto «Prosopis» no Peru
1.2 O projeto «meningite» no norte do Gana
1.3 O Projeto «lago Vitória»: implementação de uma Agenda 21 local
2. Obstáculos e problemas comuns durante as parcerias científicas entre os PD e os PI
3. Carta de responsabilidades da parceria Norte-Sul

Epílogo

Abreviações


«Mudar de rumo»1 – na pesquisa também!
(à guisa de preâmbulo)

Porque mudar?
Já faz agora uns dez anos que uma parte do mundo científico enfatiza os perigos inerentes ao crescimento demografico, à degradação do meio ambiente e às perturbações climaticas. Se essas advertências são justificadas, podemos considerar que ameaças sérias pesam sobre a civilização humana dentro de um curto termo2 . A pesquisa científica pode e deve contribuir para a resolução desses problemas, mas para tanto, duas condições são necessárias – a primeira é uma melhor repartição geográfica do potencial científico a escala planetária, e a segunda, uma cooperação sistemática entre a pesquisa, a política, a economia e a sociedade civil.
Tanto o bom senso quanto a solidariedade determinam que deve-se dar os meios necessários aos «países en desenvolvimento» (PD) para que seus pesquisadores ponham em prática redes internacionais de cooperação científica, como tem sido o caso depois de longa data, entre os países industrializados (PI). A cooperação em questão, não visa a promoção de uma competitividade economica baseada no modelo habitual, mas a buscar conjuntamente soluções aos problemas acima evocados Esse processo de responsabilização devera substituir a concorrência por meio de imperativos de complementaridade e de sinergia.
Esta idéia parece atualmente estar fazendo caminho em certos PI 3,4 (cf. anexo 3). O mesmo está ocorrendo em certos PD, como testemunham as ativiades da Third World Academy of Sciences5. Fundada em 1983, ela conta hoje em dia com representantes de mais de 70 PD e constitue provavelmente o mais importante forum científico do Terceiro Mundo. Ela se inspira na idéia de promover as atividades científicas nos PD, e de conceder à pesquisa desses países, a importância e autonomia indispensáveis.
Esse proposito merece uma acolhida entusiasta e um apoio sem reservas. Ele adverte no entanto, sobre o perigo de uma nova polarização da pesquisa entre o Sul e o Norte, o que seria finalmente, contrario à idéia de uma comunidade científica planetaria6. Sua realização é no entanto, bloqueada pela disparidade existente entre os PD – noção à qual é impossível atualmente, de dar um sentido exato7. O abismo entre os «países menos desenvolvidos» e os «países emergentes» é em geral, bem mais profundo que aquele entre estes ultimos e os PI. Se a presente publicação usa apesar de tudo, a expressão «PD», é porque ela é comum, principalmente nos países anglo-saxônicos. Em todo caso, deve-se considerar que cada projeto de parceria científica deve ser abordado em função de seu contexto particular.

Aonde leva o novo rumo?
A «Estratégia suiça para a promoção da pesquisa nos países en desenvolvimento»8 propoe um meio de reduzir o desequilibrio entre os PI e os PD, no âmbito da pesquisa: as parcerias científicas. Estas caracterizam-se essencialmente pelo interesse recíproco que apresenta o problema estudado, assim que pela cooperação transdisciplinária de longa data, grupos de pesquisa o mais igualitários possível e um processo de formação contínua para todos os participantes9. A mudança é clara: até agora, a Suiça não praticou a cooperação científica com os PD que de maneira mais ou menos pontual. O que interessava essencialmente até então, era o resultado da pesquisa propriamente dita, e muito pouco seus métodos e seus impactos sobre o desenvolvimento do país parceiro ou sobre o desenvolvimento e o reforço de seu potencial científico. Essa situação comporta entretanto, algumas louváveis exceções, , , , as quais mostram que a parceria em questão, é efetivamente possível e que ela pode contribuir a desenvolver de maneira durável o potencial científico do parceiro .
Os protagonistas de uma parceria científica afrontam exigências elevadas e inéditas. Ausência de idéias preconcebidas, modéstia e respeito de outras escalas de valores, são condições prévias essenciais à realização de tais projetos e ao estabelecimento de vínculos interculturais. O presente guia emerge de uma nova maneira de ver e de fazer as coisas. Destinado em primeiro lugar aos requerentes de projetos de pesquisa baseados sobre a parceria, assim que aos financiadores publicos e privados, ele é assim, centralizado sobre as necessidades da comunidade científica (suiça). Mas ele deve constituir igualmente, um instrumento de planificação para nossos parceiros potenciais dos PD, e fornecer pontos de referência úteis aos avaliadores de iniciativas científicas.
Como evocado acima, a comunidade científica internacional passa atualmente por um processo de autocritica – de onde testemunham as varias conferências, tanto na Suiça quanto no estrangeiro, assim que uma quantidade de estudos realizados tanto no Sul como no Norte (cf. epílogo). Toma-se consciência a cada dia, que a pesquisa não pode mais basear-se somente no critério de resultados. Doravante, deve-se preocupar-se também – segundo modalidades à definir – com as interações entre os pesquisadores e a coletividade, entre ciência e vida quotidiana. Este guia exprime também, o fato de que uma parte crescente da comunidade política e científica suiça deseja apoiar concretamente o estabelecimento e o reforço de uma infraestrutura de pesquisa nos PD, a fim de contribuir ao desenvolvimento sustentável* planetário.

* Nota da tradutora: O termo francês «développement durable» foi traduzido neste guia, como «desenvolvimento sustentável», de acordo com a definição dada em «Nosso futuro comum» pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, 1987.